No limiar da existência verei todos os vossos corpos dançarem. Balançando-se no silêncio, teus frágeis corpos esventrados de dor sorriem-me cada vez mais intensamente. Contemplo-os a todos. E lentamente o meu corpo é puxado e movido naquela dança.
Estamos a viver. Estamos a dançar a vida.
Outrora como me fizeram, sorrio-lhe e puxo-o. Movimentando-me em passos lentos, digo com algum espaço de silêncio e um certo nada entre as palavras, enquanto a minha voz meio sádica caminha: Amor vem comigo dançar, quero mostrar-te o quanto a vida é linda.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
A casa
Pisamos todos os vidros que partimos e escorre, saltamos todos os andares que subimos e o sangue escorre, cortamos todas as veias que temos e ele escorre. E nós? Jamais escorreremos com ele.
Estava-mos a ver as estrelas. Estava deitada. O céu estava escuro e calado. Para onde quer que o meu olhar fugisse só se via aquele belo eco do universo. Será que alguém está a sentir o mesmo que eu? - pensei. Sem dúvida eles riam, admiravam o céu e falavam, mas não estavam serenos e calados como o momento exigia. Ainda pensei em pedir-lhes silêncio e chamar a atenção para o que tinham a cima das suas cabeças, mas todas aquelas estrelas mantinham-me em êxtase, penetravam-me a fala e o olhar. Falar parecia-me agora inútil.
Senti que estava onde devia estar e embora me custasse a crer, eu pertencia ali. E tinha sempre pertencido. Senti-me pequena, insignificante.
Era confortável e perturbante, na realidade.
A vida está demasiado feita ao nosso tamanho. As portas por onde passo estão feitas para eu passar. As escadas que subo estão feitas para eu as poder subir. As cadeiras onde me sento, a roupa que eu visto, a cama onde me deito, as garrafas que eu agarro, está tudo feito ao tamanho do homem. Sem nos aperceber-mos, achamos-nos enormes e poderosos. Mas, quando vemos as estrelas e toda aquela escuridão, todas essas proporções, distâncias e tamanhos perdem sentido. Sentimos uma pequenez humana tão forte, que ao voltar para este urbanismo mecânico e tecnológico qualquer sentimento de grandeza nos parece ridículo.
Estava-mos a ver as estrelas. Estava deitada. O céu estava escuro e calado. Para onde quer que o meu olhar fugisse só se via aquele belo eco do universo. Será que alguém está a sentir o mesmo que eu? - pensei. Sem dúvida eles riam, admiravam o céu e falavam, mas não estavam serenos e calados como o momento exigia. Ainda pensei em pedir-lhes silêncio e chamar a atenção para o que tinham a cima das suas cabeças, mas todas aquelas estrelas mantinham-me em êxtase, penetravam-me a fala e o olhar. Falar parecia-me agora inútil.
Senti que estava onde devia estar e embora me custasse a crer, eu pertencia ali. E tinha sempre pertencido. Senti-me pequena, insignificante.
Era confortável e perturbante, na realidade.
A vida está demasiado feita ao nosso tamanho. As portas por onde passo estão feitas para eu passar. As escadas que subo estão feitas para eu as poder subir. As cadeiras onde me sento, a roupa que eu visto, a cama onde me deito, as garrafas que eu agarro, está tudo feito ao tamanho do homem. Sem nos aperceber-mos, achamos-nos enormes e poderosos. Mas, quando vemos as estrelas e toda aquela escuridão, todas essas proporções, distâncias e tamanhos perdem sentido. Sentimos uma pequenez humana tão forte, que ao voltar para este urbanismo mecânico e tecnológico qualquer sentimento de grandeza nos parece ridículo.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Às puras pessoas
Temos uma certa tendência a dar valor demais ao apego quando, na verdade, as mais puras pessoas criam-se a si próprias nos pequenos detalhes da vida. Jamais algum homem fez algo sincero em prol da humanidade, ou em prol da sua própria evolução espiritual, sem antes fascinar-se com o misticismo e com a magia que existe em encostar-se a uma árvore.
Assinar:
Comentários (Atom)