segunda-feira, 29 de julho de 2013

Alma inópia

Em todas as curvas do corpo se criam os abismos da alma.
Onde a harmonia tira prazer do tumulto e do silêncio.
Na deserção de tudo,
Nós, tão pequenos.
Envoltos no desconhecido,
Com tantas armas para romper o medo,
Cedemos todos os nossos desejos aos abismos,
Enquanto vazamos as curvas do nosso corpo.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

A minha casa

Chega a noite.
O atrito instala-se nos nossos corpos - Sinto-me devoluta e residente de mim mesma. A madeira da minha casa estala e os meus ossos estalam ao seu ritmo. Somos um só. Num só acto.
 Gostava de puder capturar e enjaular todos esses instantes e mandar-me às feras eternamente. A nossa existência é agora um alívio mórbido e belo, sem pesar. Tanto tempo a dissipar sensações em pensamentos, quando a magia sempre nos teve patentes. Tudo dimana-se dos nossos corpos enlevados. É então que os meus pensamentos saem de mim, lutam no espaço, com artilharia e fúria, até se matarem mutuamente e serem só amor e ódio estendidos no chão.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

pulmões de terra




Ando eternamente sobre o sangue
E se a terra que piso não me respira,
Respiro-a eu, enquanto desejo tudo,
Sem assinar o chão onde me difundo.

Oh terra,
Onde a mentira nos toca e a verdade nos esfola,
E onde toda as raízes nos comem os ossos.
- Eu fico à porta. E sem resposta.
Vou-me embora, fechando os olhos.

A vida,
A morte.
Pudesse eu viver e morrer entre elas.
Pintá-las nuas e fundi-las,
Na frágil tela do meu corpo.