Chega a noite.
O atrito instala-se nos nossos corpos - Sinto-me devoluta e
residente de mim mesma. A madeira da minha casa estala e os meus ossos estalam
ao seu ritmo. Somos um só. Num só acto.
Gostava de puder
capturar e enjaular todos esses instantes e mandar-me às feras eternamente. A nossa
existência é agora um alívio mórbido e belo, sem pesar. Tanto tempo a dissipar
sensações em pensamentos, quando a magia sempre nos teve patentes. Tudo dimana-se dos nossos corpos enlevados. É então que os
meus pensamentos saem de mim, lutam no espaço, com artilharia e fúria, até se
matarem mutuamente e serem só amor e ódio estendidos no chão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário