sábado, 17 de março de 2012

"Para os crentes, é um ateu; para os ateus, seria um crente"

"(...) Mesmo que os filósofos tivessem a possibilidade de descobrir a verdade, qual, de entre eles, se interessaria por ela? Cada um de­les sabe muito bem que o seu sistema não tem mais fundamentos que os dos outros; mas sustenta-o, porque é seu. Não houve um único que, tendo chegado a distinguir o verdadeiro e o falso, não ti­vesse preferido a mentira que encontrou à verdade descoberta por outro. Onde se encontra o filósofo que, para defender a sua glória, não enganaria cientemente o género humano? Onde se encontra aquele que, no âmago do seu coração, tem outro propósito que não seja o de se distinguir? Contanto que se eleve acima do vulgar, con­tanto que apague o brilho dos seus concorrentes, que mais deseja ele? O essencial é pensar diferentemente dos outros. Para os cren­tes, é um ateu; para os ateus, seria um crente. "


Jean-Jacques Rousseau, em 'Emílio'

segunda-feira, 5 de março de 2012

A tão temida morte faz a nossa existência


Crescer parece que é tomar consciência do quanto estávamos errados antes, quando antes pensávamos estar certos. É tornarmos-nos superiores ao que nós próprios éramos. Sim, porque acreditem, se há alguma pessoa a quem eu me possa considerar superior, essa pessoa sou eu mesma. Ser superior de mim mesma é ter em consciência a minha inferioridade.
O mundo físico é que nos faz existir. Porque se não fosse a morte, poderíamos ser sempre uma pessoa superior e diferente  daquela que éramos (logo, quem seriamos afinal?) Parece que é a tão temida morte que nos traça a existência.

domingo, 4 de março de 2012

um bicho de 10 cabeças

"Em Platão fora uma essência desinvidualizada.
Em Aristóteles, uma espécie.
Nos escolásticos, um filho sem vontade própria.
Em Descartes, um pensamento.
Em Espinosa, um modo de Deus.
Em Kant, um sujeito.
Em Schelling, uma pura transcendência.
Em Hegel, o mesmo espírito.
Em Comte, um facto social.
Em Marx, um factor histórico-dialéctico."

Ismael Quiles, Sartre e o Existencialismo.

O amor e o conhecimento como evolução de mentalidades

Cada vez mais me deparo que o amor é algo racional. Defini-lo será inútil e a um certo ponto será até ridículo. E se por ventura passar algum limite então serei eu demasiado ignorante ou demasiado irracional para falar do amor.

O amor e o conhecimento, para mim, estão intimamente ligados e são ambos dois campos demasiado infinitos para a vida humana, enquanto que, ao mesmo tempo, são capacidades humanas infinitas. Quanto mais racionais mais nos apercebemos que nunca iremos saber amar totalmente.
Dentro de mim, só vou poder afirmar que amei ou que conheci algo no último dia da minha vida. Nesse dia não terei oportunidade de conhecer um amor superior aquele que eu mais amei. E por isso, no último dia da minha vida resta-me ser ridícula e agarrar o sentimento mais forte que vivi. Talvez apenas para sentir que dei tudo de mim a alguma coisa. Talvez seja esta a forma de não morrer, depositando tudo o que fui naquilo que eu mais amei.

"A terceira onda - fascismo na escola"


Nos anos 60 inícios de 70, Ron Jones acabou por criar um estado fascista ilusório dentro da turma que leccionava, sem estes tomarem conhecimento da experiência. 

Começou por ensinar "A força através da disciplina", fazendo-os saírem e voltarem a entrar na sala as vezes que fossem necessárias. Também ensinou á turma uma nova postura que deveriam assumir, mostrando-lhes o quanto correcta e benéfica ela era.

Mais tarde ensinou a segunda fase da manipulação: "A força através da comunidade". Deu um nome á turma: a terceira onda. Criou um símbolo e um gesto de saudação. Sempre que passavam uns pelos outros, teriam de se cumprimentar com o gesto. Os alunos assumiram um sentimento de grupo e de igualdade uns com os outros, sentiam que pertenciam a algo especial. Praticaram durante um período inteiro estas duas matérias, tornando-os fanáticos pela terceira onda.

O seguinte passo foi: "A força pela acção". O professor decidiu alargar o grupo a quem quisesse entrar. Ao terceiro dia a turma ter-se-ia alargado para 43 alunos. O professor distribuiu papéis por todos os membros com funções específicas. Quem tivesse uma cruz no papel teria a função de informar o professor se alguém não estivesse a cumprir as regras da terceira onda.

Incentivou os seus alunos a darem palestras sobre a terceira onda aos outros colegas, convencendo-os de que as suas regras eram correctas. Pediu também a cada aluno que convida-se amigos próximos e de confiança a participar activamente na terceira onda. De 43, passaram a 200 membros. Toda a escola, incluindo funcionários e outros professores, estavam completamente motivados pela terceira onda.

Nesse dia um aluno ofereceu-se para ser o seu guarda costas pessoal, e aí o Mr.Jones apercebeu-se que também ele estava a fazer parte da sua própria experiencia. Era ele a autoridade a qual todos obedeciam cegamente, independentemente do conteúdo das suas palavras. Mr. Jones podia agora levar aquelas pessoas a atitudes monstruosas, ou não.  

Por último, para concluir a experiencia Mr. Jones ensinou "A força pelo orgulho". Mostrou a todos o quanto se deviam sentir orgulhosos por pertencer á terceira onda. Os alunos estavam de tal forma alienados que se Mr. Jones manda-se matar, eles matavam.

Foi então que Jones preparou uma reunião da terceira onda onde planeariam um golpe de estado. Quase todos os membros compareceram e Jones revelou-lhes que tudo aquilo que tinham vivido até agora tinha sido apenas uma experiencia. Que não iria haver nenhum golpe de estado. E mostrou aqueles duzentos estudantes o quanto fácil era manipular as massas. O quanto totalitarista aquele movimento se tinha tornado. E finalmente respondeu a uma pergunta que uma aluna lhe tinha feito no início do ano: “Será que era possível existir na actualidade um estado fascista?”

Depois desta experiência Jones foi despedido e afastado do ensino.