segunda-feira, 30 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Introspecção
“(…) ninguém
pode estar à janela à espera de se ver passar na rua”
August Comte
August Comte
São, em maior parte, pessoas idosas que passam as suas tardes
a olhar para aquela rua de cima das suas altas varandas. Estão completamente vidrados num
ponto da rua, numa esquina, numa passadeira, numa porta…
A espera foi longa. Viciei-me em esperar por mim.
E convenci-me desta minha espera. Esperei supondo mesmo, e imaginando, que eu própria iria aparecer.
Enquanto esperava, um turbilhão de pensamentos rasparam a minha mente, pensamentos surreais. Pensei ainda em ir buscar o meu caderno para não me esquecer deles, mas estava tão focada na minha espera que sair dali significava perder toda essa linha de pensamento, e em metáfora: perder o momento em que eu realmente iria passar por ali.
Eu não sei quanto tempo fiquei ali. Vi-a tantas pessoas a passar, mas nenhuma se parecia comigo e foi então que pensei:
Mas, e se tu te mascaraste para tu própria não te reconheceres Patrícia?
Supor isto foi duvidar completamente de mim, foi supor que eu própria mesmo que me visse passar não me iria reconhecer.
Foi então que cheguei a uma conclusão sobre o porquê daquela espera interminável:
Todas aquelas pessoas, que esperam incansavelmente e durante dias a fio para se verem passar, provavelmente já passaram o seu olhar um milhão de vezes por elas próprias. Mas enquanto esperam, nunca metem em hipótese esperar alguém diferente senão aquelas que elas próprias se julgam ser. E por isso, aquela pessoa que tanto esperam nunca irá aparecer.
Foi então que cheguei a uma conclusão sobre o porquê daquela espera interminável:
Todas aquelas pessoas, que esperam incansavelmente e durante dias a fio para se verem passar, provavelmente já passaram o seu olhar um milhão de vezes por elas próprias. Mas enquanto esperam, nunca metem em hipótese esperar alguém diferente senão aquelas que elas próprias se julgam ser. E por isso, aquela pessoa que tanto esperam nunca irá aparecer.
"Canal zero"
"foi na TV que aprendi a ser homem
foi na TV que aprendi a sorrir
põe-me a mão no bolso
ensina-me o abraço
que eu sou uma puta
e não sei o que eu faço
põe-me a mão no bolso
ensina-me o abraço
que eu sou uma puta
e não sei o que eu faço
foi na TV que aprendi a ser puta
estou tão feliz por não ter uma luta
põe-me a mão no ombro
ensina-me o que eu faço
que eu sou uma coisa
e tu és o meu espaço"
estou tão feliz por não ter uma luta
põe-me a mão no ombro
ensina-me o que eu faço
que eu sou uma coisa
e tu és o meu espaço"
Manuel Cruz
sábado, 7 de abril de 2012
"Se Deus está morto, então tudo é permitido!"
Cairei num niilismo profundo.
Desvalorizarei qualquer sentido de ser, qualquer razão.
Entrarei numa dimensão surreal vista desta. Onde a vida não é nada mais do que algo sem nexo, onde reina um ciclo repetitivo e onde o grande conhecimento
se rege em aceitar o maior vazio após a minha morte. Estou, e estamos, naquela
ampulheta que se vira novamente (e novamente) de igual forma, que nos foca e nos
atormenta no nosso liberto e autónomo agir.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Como esquecer ideias geniais?
"Ligo conceitos das formas mais extraordinárias e
absurdas possíveis e quando, após atravessar a linha do irrazoável, me pergunto
sobre de onde surgiria toda aquela linha de pensamento tomo a
noção de que a minha fraca memória não acompanha a potência do meu insensato
raciocínio."
Francisco Reis
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Eles, aqueles loucos!
A vida é demasiado curta para eles. Não encontram nenhum
lugar para si nas ruas, nem nas culturas ou nas religiões.
Aqueles grandes
loucos, grandes génios, que atiram as culpas ao homem e que se suicidam por
dentro, cada vez que se sentem a existir. A vida para eles é nada. É uma realidade
demasiado pequena para almas tão grandes. E as suas vozes, são vozes que assemelham
a ecos complexos e até o timbre é demasiado baixo e as palavras demasiado
ruidosas e avassaladoras que não conseguem fazer-se ouvir. Eles são um erro do
tempo.
Para aqueles loucos, sentirem-se existir é sentirem na pele todos os
erros humanos deste e do passado mundo, que de tão pequeno, ainda os chama de loucos.
domingo, 1 de abril de 2012
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