“(…) ninguém
pode estar à janela à espera de se ver passar na rua”
August Comte
August Comte
São, em maior parte, pessoas idosas que passam as suas tardes
a olhar para aquela rua de cima das suas altas varandas. Estão completamente vidrados num
ponto da rua, numa esquina, numa passadeira, numa porta…
A espera foi longa. Viciei-me em esperar por mim.
E convenci-me desta minha espera. Esperei supondo mesmo, e imaginando, que eu própria iria aparecer.
Enquanto esperava, um turbilhão de pensamentos rasparam a minha mente, pensamentos surreais. Pensei ainda em ir buscar o meu caderno para não me esquecer deles, mas estava tão focada na minha espera que sair dali significava perder toda essa linha de pensamento, e em metáfora: perder o momento em que eu realmente iria passar por ali.
Eu não sei quanto tempo fiquei ali. Vi-a tantas pessoas a passar, mas nenhuma se parecia comigo e foi então que pensei:
Mas, e se tu te mascaraste para tu própria não te reconheceres Patrícia?
Supor isto foi duvidar completamente de mim, foi supor que eu própria mesmo que me visse passar não me iria reconhecer.
Foi então que cheguei a uma conclusão sobre o porquê daquela espera interminável:
Todas aquelas pessoas, que esperam incansavelmente e durante dias a fio para se verem passar, provavelmente já passaram o seu olhar um milhão de vezes por elas próprias. Mas enquanto esperam, nunca metem em hipótese esperar alguém diferente senão aquelas que elas próprias se julgam ser. E por isso, aquela pessoa que tanto esperam nunca irá aparecer.
Foi então que cheguei a uma conclusão sobre o porquê daquela espera interminável:
Todas aquelas pessoas, que esperam incansavelmente e durante dias a fio para se verem passar, provavelmente já passaram o seu olhar um milhão de vezes por elas próprias. Mas enquanto esperam, nunca metem em hipótese esperar alguém diferente senão aquelas que elas próprias se julgam ser. E por isso, aquela pessoa que tanto esperam nunca irá aparecer.
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