domingo, 25 de novembro de 2012
vras
Todos os demónios num quarto.
Riem-se embriagados.
Todos lhes batem à porta, e eles?
Eles convidam todos a entrar,
Almas tão fracas, tão pálidas.
Cada vez mais inválidas penetram mais profundamente a sala.
Respiram o ar contaminado, calam as suas vozes,
Tornam-se madeira puxada a cortas,
E deixam de falar a meio das pala
domingo, 18 de novembro de 2012
A nossa pele
Sinto os maxilares presos. E parece que a minha pele levantou uns três centímetros do meu corpo. Alguém me diz para me manter calma, e nesse momento sinto a mão tremer, como se algo em mim, inconscientemente, desobedece-se imediatamente.
Nunca tinha visto nada assim. Já tinha imaginado, de facto, mas nunca a imaginação foi tão vivida como ali.
Os nossos olhos tremiam, como quando os fechamos e sonhamos, mas estes estavam bem abertos. Eles estavam abertos!
- Bem abertos! - pensei eu.
Cada vez parecia que a minha pele se afastava mais do meu corpo.
Uma mulher grita, ela não pára de gritar, desde o inicio que ela não parou de gritar. O seu grito já se tornou tão banal à nossa audição, que é como se ela ali não mais estivesse.
Começámos a desconfiar uns dos outros, isso é certo. Será que alguém ali desconfiou de si próprio?
Estávamos numa sala de espelhos, sem espelho nenhum. Seja qual fosse o sitio para onde o meu olhar fugia, não conseguia fugir daquelas imagens.
Estavam todos agora à minha volta, à espera de não sei bem o quê.
A mulher não pára de gritar!
Pedi-lhe que se calasse, mas a minha voz foi imediatamente diluída no seu grito.
Calei-me portanto. Não havia mais nada a fazer.
A minha pele estava demasiado afastada de mim. Foi então que todas as peles naquela sala se soltaram dos seus corpos, e se encarnaram nos corpos uns dos outros.
A pele dele apertou-se ao meu corpo, e foi aí que senti amor.
Amor por todos aqueles que ali estavam.
Tínhamos agora percebido que estávamos todos na mesma situação. Não havia nada a fazer.
Em silêncio apenas ouvíamos o grito, e na verdade admirava-mo-lo. Também nós gostaríamos de estar a gritar.
- Amor, pára de gritar - pediram-lhe. E de repente o silêncio manifestou-se da maneira mais bonita que podíamos alguma vez ter sentido, continuamos em silêncio, a vê-la gritar.
Nunca tinha visto nada assim. Já tinha imaginado, de facto, mas nunca a imaginação foi tão vivida como ali.
Os nossos olhos tremiam, como quando os fechamos e sonhamos, mas estes estavam bem abertos. Eles estavam abertos!
- Bem abertos! - pensei eu.
Cada vez parecia que a minha pele se afastava mais do meu corpo.
Uma mulher grita, ela não pára de gritar, desde o inicio que ela não parou de gritar. O seu grito já se tornou tão banal à nossa audição, que é como se ela ali não mais estivesse.
Começámos a desconfiar uns dos outros, isso é certo. Será que alguém ali desconfiou de si próprio?
Estávamos numa sala de espelhos, sem espelho nenhum. Seja qual fosse o sitio para onde o meu olhar fugia, não conseguia fugir daquelas imagens.
Estavam todos agora à minha volta, à espera de não sei bem o quê.
A mulher não pára de gritar!
Pedi-lhe que se calasse, mas a minha voz foi imediatamente diluída no seu grito.
Calei-me portanto. Não havia mais nada a fazer.
A minha pele estava demasiado afastada de mim. Foi então que todas as peles naquela sala se soltaram dos seus corpos, e se encarnaram nos corpos uns dos outros.
A pele dele apertou-se ao meu corpo, e foi aí que senti amor.
Amor por todos aqueles que ali estavam.
Tínhamos agora percebido que estávamos todos na mesma situação. Não havia nada a fazer.
Em silêncio apenas ouvíamos o grito, e na verdade admirava-mo-lo. Também nós gostaríamos de estar a gritar.
- Amor, pára de gritar - pediram-lhe. E de repente o silêncio manifestou-se da maneira mais bonita que podíamos alguma vez ter sentido, continuamos em silêncio, a vê-la gritar.
domingo, 11 de novembro de 2012
O homem está nos infernos do ser
Natureza calma e natureza morta,
Vagueia em ruas antigas sem fim.
Habita nos recantos dele e de ti,
Tão fechadas casas sem porta,
Se arrastam e me levam.
Vazios, dispersam-se como o vento,
Pensamentos frios da minha mente,
Após arrancados e levados pelo tempo,
Canto o grito do meu sangue decadente
Que suja qualquer pensamento.
Sonho frágil sem acordar,
Tão frágil a decrescer
Tão rara dor sem aliviar,
Repito novamente:
O homem está nos infernos do ser.
domingo, 4 de novembro de 2012
Eco do riso
Olho para a humanidade.
Rio e choro simultaneamente de todos vós.
Tão ridículos. Tão pobres almas gastas.
Enquanto rio só desejo morrer.
Apagar-me no meu mais profundo riso,
tão doentio quanto eu.
Olho agora para mim.
Encaro-me tão profundamente,
que juro não me conhecer.
Aniquilo-me e renasço.
Também eu me rio e me choro...
Porque no fundo vocês não se encaram.
E eu quero tanto deixar de me conhecer.
Quero ser só um eco de um riso.
Eu apenas quero:
rir e morrer.
er.
er.
er.
er.
r.
.
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