sábado, 29 de novembro de 2014

A tristeza

Não sei por onde paira o cálice da vida. Parece que o vejo em todos os sítios, parece que cada realidade possui, no seu espírito, todas as realidades. Que uma parte tem em si o todo, o infinito.

Que nada vive só. Que o seu cerne contém todo o passado, todo o futuro… é uma terrível encarnação que nos embala com o passar do tempo, no seu ventre de sangue e vida.

Mas nunca senti tanta solidão:
Esta vida que é morte, ou esta morte que é vida.
Esta profecia oculta que vive nos nossos corpos,
Este sol eterno no nosso peito,
que ilumina este desdém, esta loucura, este medonho mundo,
Esta dança de sono, beleza e terror...

Eu perdi-me aqui.
fundi-me com este ventre de escuridão,
pintei-me com este sangue.
Vi a lua levantar o céu,
E o sol queimar-me a pele,
Divaguei sobre a morte,
Mais tarde, Pelos campos,
Dancei com ela,
Morri nas minhas próprias larvas,
E trouxe de lá uma palavra:
Absoluto,

"Entro dentro dessa palavra,
Como quem cai para dentro da sua própria boca",
É lá que morro.
Nessa noite infinita...

Como eu gostava de vos pegar pelas mãos e fugir,
De dançar-mos as madrugadas dos meses,
de pintarmos o amor nos olhos, no sexo, na boca...
Eu abraçaria qualquer um de vós eternamente,
Porque sou-me só, porque vocês sós são...
E se um dia virem a vossa solidão,
Não a deixem partir, sem ela florir as suas flores,
Não a abandonem nos vossos corpos,
não se enganem com a embriaguez da alegria.

A tristeza, o equilíbrio, o amor, a paz, a felicidade,
certamente serão partes de um só fio,
de um só destino..











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