segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

pensamentos sobre o Destino

Este silencio destruidor,
Tem-me na sua palma como uma semente,
As minhas raízes crescem ao encontro do infinito,
Nesta noite que se caminha,
Sou eterna e única com o meu destino.

Acreditas no destino? Nesse acto fatal… Nessa mágica secreta?
Eu acredito em todas essas palavras infinitas. Afinal na minha vida, muitas foram as noites onde olhei comigo mesma para o meu passado, muitos os dias em que eu vi florir o meu esforço, em que fui punida pelas minhas fraquezas, pelas minhas escolhas. Mas ainda assim, só assisti ao inevitável.
Todas as manhãs, quando o sol ilumina os nossos quartos, acorda-mos com toda a magia em frente aos olhos. Todas as manhãs a luz entrará a dentro do nosso quarto, sem nos pedir permissão, todas as manhãs está a ser cumprido um destino, um destino secreto, que se tem cumprido por bilhões de anos.
Há tanta coisa pela qual nunca teremos absoluto controlo.
Temos o infinito antes e para lá de nós. Hoje posso garantir que a liberdade só existe porque o destino sempre esteve ao seu lado, tal como a morte sempre esteve ao lado da vida. Por cada força geradora, criativa, masculina, existe uma força oculta, enigmática, devoradora, misteriosa. Acreditar na liberdade e na escolha, sem se acreditar no destino, é equivalente a acreditar que não se morre e que hoje não anoitecerá.
A liberdade e o destino são então duas faces da mesma moeda, dois opostos complementares. Eu tenho a escolha, logo tenho possibilidades. Posso escolher manifestar o meu esforço para mudar o rumo da minha vida, para me tornar famosa, para qualquer coisa. Tal como posso escolher rasgar uma folha de uma árvore em vez de queima-la, escolher a rua da esquerda ou da direita, a blusa azul ou amarela. E podemo-nos sentir poderosos com isso, podemos eliminar o factor destinatário das nossas vidas, podemos ver apenas e só apenas o acaso (porque ele também existe). Mas será uma loucura. Será equivalente aquela inadequação da morte e da noite. Porque nunca conseguiremos explicar a existência real das coisas, a possibilidade existencial da folha poder ser rasgada continuará incógnita. As possibilidades já estavam "vivas" antes de alguém decidir metê-las em práticas. Algo já veio escrito, com as suas próprias possibilidades e limitações. As nossas escolhas são limitadas por algo que desconhecemos.
- Existe um manto invisível de causas secretas.
Tal como a morte será um mistério até morrermos. O destino será um mistério até escolhermos.

Há sempre algo que nos escapa das mãos, sob o qual não temos controlo. Mas lá porque não o conseguimos prever, não significa que ele não estivesse lá desde inicio. Não devemos, por complexo de não sermos supra-poderosos e videntes, eliminar uma das faces desta existência.

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