Terra, minha Terra,
ergo os braços e rendo-me a ti,
és a fonte, o primeiro verbo
a matriz imemorial,
infinita.
és tu que conduzes os corpos,
quem os sustenta.
Trazes escrito no teu corpo,
os segredos da vida e da morte,
és tu que estás lá quando o pássaro morre
Enquanto vivo, observas silenciosa:
ele come tranquilamente as suas larvas,
mas és tu que estás lá quando chega o momento,
das larvas comerem o seu pássaro.
Tudo é justo, o universo é perfeito.
Talvez o tempo-espaço em que essa justiça é feita, não seja justo,
Mas isso é só a nossa pobre condição de não ter um olho cego,
Um olho irado,
Um aberto, desperto
Um cego, mas sábio,
Um olho que intui, que sabe,
mesmo não podendo saber.
O homem viverá sempre entre a crença e a dúvida,
Mas burro será aquele que não crê, por duvidar,
E igualmente burro, será aquele que dúvida, por não crer.
A terra bem ensinou a duplicidade da existência,
A terra escondeu entre os opostos o grande segredo do universo,
da vida e do amor. Só o descobrirá quem olhar para esse "nada",
quem decidir ser louco e olhar para o que nenhum olho pode ver,
nenhuma máquina, nenhum instrumento...
é para esse horizonte invisível presente em todas as coisas,
onde a dúvida e a crença se tocam,
onde o homem e a mulher se penetram,
Onde o sol e a lua partilham o céu...
Onde todo o amor é absoluto, onde todo o amor é relativo
Tudo existe e nada existe de volta,
O tempo caminha do passado para o futuro,
e do futuro para o passado...
Em simultâneo,
em infinidade
Tu és o desenho deste ciclo,
Tu és a matriz que nos cria,
és a mulher fértil dos bosques,
Igualmente és a ceifeira,
a velha no nosso rosto,
que se aproxima cada vez mais de nós...
Sã seja a mulher que vê na sua juventude a sua morte!
E sã seja a velha que veja na sua morte, a sua juventude!
É desta forma que o futuro caminha até nós,
É desta forma que o passado nos atinge e acompanha...
É desta bela forma, que o universo comunica conosco,
através de nós mesmos, dos nossos corpos,
da nossa vida,
Aquilo que acontece na nossa vida, por mais insignificante que seja,
é uma introdução a uma grande aventura,
onde se aprende um pouco mais,
onde se sente um pouco mais,
onde cada coisa acontece, no tempo certo,
porque o tempo, é tão relativo e absoluto quanto o amor,
tão mortífero quanto a vida, tão criativo quanto a morte,
passa o instante, e o destino cumpriu-se,
diz-nos o olho...
E repito, burro aquele que acreditar nele,
burro aquele que duvidar dele,
pois o segredo do universo reside entre os opostos criadores,
Todo o oposto é criador, vem do fogo, que em si tem o gene da dualidade,
Criativo,
Mas destruídor
Esta condição de tudo ser duplo,
de tudo ter um espírito, uma alma,
Mas em conjunto, ser tudo UM,
o absoluto, a larva-pássaro,
o pássaro-larva
Tudo é justo, o universo é perfeito.
Talvez o tempo-espaço em que essa justiça é feita, não seja justo,
Mas toda a justiça tem uma gota de vingança,
Toda a vingança tem uma gota de justiça,
A verdadeira justiça está escondida então,
entre o justo e o injusto,
entre esse amor e esse ódio,
entre essa paz e essa guerra
que, aceite-mos! é a condição, é tudo aquilo que os nossos olhos podem imediatamente ver...
Por isso, venha esse tempo que corre do passado para o futuro,
e do futuro para o passado,
e nos traga visões!
Nos traga esse olho invisível que no meio do nada vê tudo,
e no meio do tudo vê o nada,
E venha também o pássaro e a larva,
A dúvida e a crença,
A virgem e a velha,
Mas que neste inferno de segredos,
Neste magnifico espectáculo de vida,
Nunca nos esqueçamos de ti Terra,
que nos ensinas-te,
que nos alimentas-te,
e que debaixo de ti,
morreremos.
Estou-te grata,
és minha irmã. mãe e filha,
E eu tua filha, irmã e mãe.
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