Não olhes para mim,
Eu que nunca me despi para ninguém,
Julgo ser apenas para ser vista de longe
Não de perto,
Ou pelo menos foi assim que a vida me quebrou.
Só sei despir roupas,
Enquanto me beijas é fácil deixar cair as roupas,
Mas não me saberei despir se me olhares nos olhos,
Só sei mostrar os meus olhos tímidos,
E o meu sorriso triste,
Os meus ombros altos
E os meus decotes retos
De perto verás que a minha mandíbula é tensa,
E que o meu olhar é desconfiado,
E que os meus lábios estão secos
E o coração está cortado.
E que tenho muros - tantos quantos puderes imaginar
E que não te deixarei passar.
Não me olhes mais assim.
Pois eu quebro em pedaços e fujo
E tu não terás remorso,
E eu não serei capaz de voltar
E ficarão pedaços de mim no chão…
Mas tu não tens pena de mim, pois não?
Porque não vês que tenho uma alma imensa,
E que mesmo desconfiados, os meus olhos são puros,
E que mesmo triste a minha boca é honesta
E que mesmo altos, os meus ombros são confortáveis
E que mesmo lacerado, o meu coração é bom.
Mas tu não vês,
Os muros não são transparentes.
E tu não nasceste para moldar a pedra.
Tu nasceste para ver o mundo de perto.
E eu que sempre temo qualquer aproximação.
Mas gosto quando o teu ombro encontra o meu. E quando sinto a tua mão procurar a minha. E gosto quando a roupa cai sozinha no chão.
Nos meus sonhos já estamos juntos,
Estes sonhos tão loucos e egoístas,
Em que magicamente tu tens a força de quebrar muros,
E de perto,
Eu me deixo ser vista.
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