Trago-te comigo, tens sido a minha companhia, tens-me carregado nos teus braços como um cadáver. Temos bebido e dançado juntos, e os nossos espíritos têm-se unido como as árvores e misturado como as águas.
Brevemente serão um só.
Mas hoje, hoje carrego-te eu nas minhas costas, como um filho. Carrego-te como se fosses uma criança expectante, que vê tudo pela primeira vez. Sinto o teu medo, o teu temor nas minhas costas; sinto também a alegria que nasce em ti ao descobrires que estás vivo.
O teu mundo ainda não tem palavras, não existe nenhum tipo de tempo: estás isolado numa realidade só tua. Tão única e frágil. Mas o teu futuro é mais meu do que teu, o teu passado está mais na minha mente do que na tua. Mas o Agora, esse é eternamente teu.
Olhas-me com os teus olhos vivos, e tudo o que consigo sentir é dor, porque, na verdade, esse momento que é teu não será de ninguém; nem mesmo teu poderá ser. Lentamente irás esquecer-te da magia das coisas, lentamente tudo se tornará mais longínquo e a tua memória apenas conseguirá lembrar um fragmento.
Como se aquele instante não tivesse sido realmente teu, como se tu não tivesses estado lá todo o tempo. Será um lembrar de um lembrar. E sabemos hoje que se lembra o tanto que se esquece.
Mas agora estás aqui. Agora e só agora o tempo é teu.
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