segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Cortesia da dúvida

 Estou indo dormir, meu amor.

Os sonhos têm sido longos, e o corpo acorda exausto.

Por vezes, viajo e vou te visitar,

mas tão pouco sei se acordarei sã.


A loucura tem-me visitado à noite

e hospedado a minha mente

como um convidado inesperado e inoportuno,

que sempre encontra uma brecha para se demorar.


Amor,

Os olhos pesam com a esperança

de que chegue um dia melhor,

que parece nunca chegar,

mas que sempre promete vir.


Talvez amanhã desperte lúcida

e os sonhos me tragam a clareza que tanto sinto precisar.


Mas agora que sei que tudo é um pouco louco,

que uma coisa é sempre outra coisa,

e que o outro é sempre um outro, que nem esse o é…

Já não sei o que me poderá libertar.


Não sei se acordarei amanhã mais serena,

com alguma certeza ridícula,

ou se despertarei angustiada,

com a terrível sensação

de que aqui vim parar por um engano divino.


Talvez acorde descrente.

Ou, então, talvez nem me deixes dormir, amor.

Pois a fé, às vezes, chega mais tarde.

E talvez queira ser hóspede da minha alma.

E eu a deixe ficar…

Pelo gosto sádico que tenho de duvidar.

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