Estou indo dormir, meu amor.
Os sonhos têm sido longos, e o corpo acorda exausto.
Por vezes, viajo e vou te visitar,
mas tão pouco sei se acordarei sã.
A loucura tem-me visitado à noite
e hospedado a minha mente
como um convidado inesperado e inoportuno,
que sempre encontra uma brecha para se demorar.
Amor,
Os olhos pesam com a esperança
de que chegue um dia melhor,
que parece nunca chegar,
mas que sempre promete vir.
Talvez amanhã desperte lúcida
e os sonhos me tragam a clareza que tanto sinto precisar.
Mas agora que sei que tudo é um pouco louco,
que uma coisa é sempre outra coisa,
e que o outro é sempre um outro, que nem esse o é…
Já não sei o que me poderá libertar.
Não sei se acordarei amanhã mais serena,
com alguma certeza ridícula,
ou se despertarei angustiada,
com a terrível sensação
de que aqui vim parar por um engano divino.
Talvez acorde descrente.
Ou, então, talvez nem me deixes dormir, amor.
Pois a fé, às vezes, chega mais tarde.
E talvez queira ser hóspede da minha alma.
E eu a deixe ficar…
Pelo gosto sádico que tenho de duvidar.
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