quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sentimentos


Creio que existem sentimentos que não nos são puros. São-nos simplesmente incutidos e nós, simples animais, aceita-mo-los cegamente, passivamente, estupidamente. Como um gato que é obrigado a dormir numa marquise, quando liberto num sitio mais extenso, procura refugiar-se para dormir, devido ao seu hábito, no recanto mais pequeno desse mesmo sítio, ignorando completamente a imensidão de locais possíveis que tem. O meio influencia a acção, mas nem sempre a justifica.
Isto para dizer que enquanto seres, somos tão, ou mais, vulneráveis a influências como um animal. Penso que é necessário, portanto, reflectir sobre alguns dos sentimentos que nos penetram a alma. Creio que existem sentimentos que precisam de ser avaliados e julgados por nós mesmos, pois existem situações que requerem a nossa auto-disciplina emocional ao longo da vida. Não podemos simplesmente pensar no momento em que nos são impulsivos, precisam de ser trabalhados, estudados, para que realmente consigamos chegar a um instinto mais sincero e simples, deixando fora sentimentos que nos invadem e nos retiram toda a sinceridade e simplicidade emocional que temos.





terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Par

Vultosas silhuetas me hipnotizam.
Tão belas vidas perdidas num olhar um pouco insípido.
Eu queria contá-las a todas, em número. Queria saber se era par ou ímpar.
Eram mais de mil. Mil e uma.

Vidas realmente vividas! Eu queria vê-las e devora-las com os olhos, como se fossem um animal raro, nunca antes visto. Como se fossem mortos.
Mas elas não pararam por mim. Continuaram seduzindo todos os olhos do mundo.
Profundas, continuaram a ser a grande incógnita da ciência, do amor, da morte, da matéria, do cósmico. Profundas, continuaram a afundar-se em si.
Aos poucos deixei de as ver nitidamente.
De repente tudo passou a uma escuridão mais profunda que elas.
Mergulhei nessa escuridão.

Mil e duas.









segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Para a minha irmã


É bom ver-te crescer, saber que tu tens um longo caminho pela frente e ao mesmo tempo saber que tu ainda não o sabes. É poder ver-te sorrir e falar com palavras, que não atendem a razões ou a morais. É poder ver-te voar para todo o sempre. Acho que é essa a magia em ter-te. É poder, para sempre, rever-me na tua inocência. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

I

Sejam o horizonte, quando serenos.
E o mar, quando bravos
Sejam eu, quando nada quiserem ser.

Encarno o vosso corpo.
Rasgo-o,
Aquele nosso inferno ventre!
Gritos estridentes!

E o vento?
Quando calmos.

Perco-me.
Já não sei ser.

Se estou serena,
Apago-me no horizonte,
Se me exalto
afundo-me no mar.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

mecânica


Era uma estranha mecânica que me penetrava os olhos. Batia-me fundo, doía-me no profundo do meu inferno. Era um amontoado de qualquer coisa que permanecia na progressão de um sofrimento aprisionado. Pontos de pressão sufocavam-me a garganta e libertavam-na com um golpe rápido e leve. O ardor e a pressão propagavam-se pelo ar.
(E a máquina crescia)
O tempo esgotava-se, diluía-se.
Espesso e negro, combustível.

 E eu era apenas uma criança, no meio das roldanas mecânicas de um relógio.
completamente livre de razão, de amor e de ódio.

domingo, 25 de novembro de 2012

rosa


cenário teatro convencional


vras

Todos os demónios num quarto. 
Riem-se embriagados. 

Todos lhes batem à porta, e eles?
Eles convidam todos a entrar, 

Almas tão fracas, tão pálidas. 
Cada vez mais inválidas penetram mais profundamente a sala. 
Respiram o ar contaminado, calam as suas vozes, 
Tornam-se madeira puxada a cortas,
E deixam de falar a meio das pala

tem de ser

"A VIDA TEM DE SER MAIS DO QUE ISTO"

domingo, 18 de novembro de 2012

A nossa pele

Sinto os maxilares presos. E parece que a minha pele levantou uns três centímetros do meu corpo. Alguém me diz para me manter calma, e nesse momento sinto a mão tremer, como se algo em mim, inconscientemente, desobedece-se imediatamente.
Nunca tinha visto nada assim. Já tinha imaginado, de facto, mas nunca a imaginação foi tão vivida como ali.
Os nossos olhos tremiam, como quando os fechamos e sonhamos, mas estes estavam bem abertos. Eles estavam abertos!
- Bem abertos! - pensei eu.
 Cada vez parecia que a minha pele se afastava mais do meu corpo.
Uma mulher grita, ela não pára de gritar, desde o inicio que ela não parou de gritar. O seu grito já se tornou tão banal à nossa audição, que é como se ela ali não mais estivesse.
Começámos a desconfiar uns dos outros, isso é certo. Será que alguém ali desconfiou de si próprio?
Estávamos numa sala de espelhos, sem espelho nenhum. Seja qual fosse o sitio para onde o meu olhar fugia, não conseguia fugir daquelas imagens.
Estavam todos agora à minha volta, à espera de não sei bem o quê.
A mulher não pára de gritar! 
Pedi-lhe que se calasse, mas a minha voz foi imediatamente diluída no seu grito.
Calei-me portanto. Não havia mais nada a fazer.
A minha pele estava demasiado afastada de mim. Foi então que todas as peles naquela sala se soltaram dos seus corpos, e se encarnaram nos corpos uns dos outros.
A pele dele apertou-se ao meu corpo, e foi aí que senti amor.
Amor por todos aqueles que ali estavam.
Tínhamos agora percebido que estávamos todos na mesma situação. Não havia nada a fazer.
 Em silêncio apenas ouvíamos o grito, e na verdade admirava-mo-lo. Também nós gostaríamos de estar a gritar. 
- Amor, pára de gritar - pediram-lhe. E de repente o silêncio manifestou-se da maneira mais bonita que podíamos alguma vez ter sentido, continuamos em silêncio, a vê-la gritar.




domingo, 11 de novembro de 2012

O homem está nos infernos do ser



Natureza calma e natureza morta,
Vagueia em ruas antigas sem fim.
Habita nos recantos dele e de ti,
Tão fechadas casas sem porta,
Se arrastam e me levam.

Vazios, dispersam-se como o vento,
Pensamentos frios da minha mente,
Após arrancados e levados pelo tempo,
Canto o grito do meu sangue decadente
Que suja qualquer pensamento.

Sonho frágil sem acordar,
Tão frágil a decrescer
Tão rara dor sem aliviar,
Repito novamente:
O homem está nos infernos do ser. 

domingo, 4 de novembro de 2012

Eco do riso

 

Olho para a humanidade. 
Rio e choro simultaneamente de todos vós. 
Tão ridículos. Tão pobres almas gastas. 

Enquanto rio só desejo morrer. 
Apagar-me no meu mais profundo riso, 
tão doentio quanto eu. 

Olho agora para mim. 
Encaro-me tão profundamente,
que juro não me conhecer. 
Aniquilo-me e renasço.

Também eu me rio e me choro...
                        
Porque no fundo vocês não se encaram. 
E eu quero tanto deixar de me conhecer. 
Quero ser só um eco de um riso. 
Eu apenas quero:
 rir e morrer. 
                  er.
                            er.
                                            er.

                                                                   er.

                                                                                        r.
            
                                                                                                             .









quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Dorme



Libertai-te dessa ilusão nesses teus trípticos carregados e crus. -É assim que ficamos- de 

pensamentos e razão, -É assim que ficamos- de pensamentos nus. 

Fecha-te nesse sonho profundo e apaixona-te por esse som de palmas tão carregadas de 


lágrimas. Chama-lhe de amor ou chama-lhe de sorte, espero que hoje sonhes com essa 


bela e linda morte.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Uma conversa com a voz


É importante agarrares a tua consciência. Agarrares a tua verdade e agires de uma forma leal, mas sem nunca a tomares como certa e única. Mas se por ventura for, ainda melhor. Tudo isso é importante, mas não fiques por aí. Devias levar-te mais. Devias falar mais alto. Devias-lhes gritar, porque sozinho ninguém tem voz a não ser para si próprio. E não esperes por um dia poderes gritar seguramente a tua verdade, pois o silêncio sempre existirá na morte. 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ordeno-te


“-Se ordenasse a um dos meus generais que se transformasse em gaivota e se ele não me obedecesse, a culpa não era do meu general. A culpa era minha
- Pois era. Só se pode exigir a uma pessoa o que essa pessoa pode dar.”

domingo, 10 de junho de 2012

escrever sobre não conseguir escrever

jwrkldnfffklçwsjfopqejfrgeqiºglnfjvklºndefºklnvgklwenfgv
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sábado, 9 de junho de 2012

(...)

O ignorante actual não vê o mundo, vê-se somente a si. Vê no mundo um veículo para se elevar a si próprio. O problema e a ignorância, está em não ver-se a si como uma  forma de elevar o mundo.

falsa compaixão


Aquela velha amiga que nos trás a noção da pequenez e da insignificância humana. É essa falsa compaixão que me faz ver que somos todos dignos do amor do outro só pelo simples facto de existirmos.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

o diabo

"Nós sabemos Deus é bom e o Diabo é mau, certo?
Mas como pode o diabo ser maléfico, se ele próprio pune o mal?"

domingo, 8 de abril de 2012

Introspecção



“(…) ninguém pode estar à janela à espera de se ver passar na rua” 
August Comte

São, em maior parte, pessoas idosas que passam as suas tardes a olhar para aquela rua de cima das suas altas varandas. Estão completamente vidrados num ponto da rua, numa esquina, numa passadeira, numa porta…
Até hoje nada me tinha passado pela cabeça que pode-se servir de razão para entender o porquê de aguentarem tanto tempo a olhar para esta rua. Na verdade eu não sei o que vai na mente daqueles idosos que se consomem, mas mal vi novamente aquele quadro que se repetia todas as tardes, lembrei-me logo da frase de August Comte. E foi então que decidi também juntar-me aqueles senhores, desafiar as minhas leis racionais, e esperar para me ver passar. 


A espera foi longa. Viciei-me em esperar por mim. 
E convenci-me desta minha espera. Esperei supondo mesmo, e imaginando, que eu própria iria aparecer. 
Enquanto esperava, um turbilhão de pensamentos rasparam a minha mente, pensamentos surreais. Pensei ainda em ir buscar o meu caderno para não me esquecer deles, mas estava tão focada na minha espera que sair dali significava perder toda essa linha de pensamento, e em metáfora: perder o momento em que eu realmente iria passar por ali. 
Eu não sei quanto tempo fiquei ali. Vi-a tantas pessoas a passar, mas nenhuma se parecia comigo e foi então que pensei: 
Mas, e se tu te mascaraste para tu própria não te reconheceres Patrícia? 
Supor isto foi duvidar completamente de mim, foi supor que eu própria mesmo que me visse passar não me iria reconhecer. 


Foi então que cheguei a uma conclusão sobre o porquê daquela espera interminável:
Todas aquelas pessoas, que esperam incansavelmente e durante dias a fio para se verem passar, provavelmente já passaram o seu olhar um milhão de vezes por elas próprias. Mas enquanto esperam, nunca metem em hipótese esperar alguém diferente senão aquelas que elas próprias se julgam ser. E por isso, aquela pessoa que tanto esperam nunca irá aparecer. 

"Canal zero"

"foi na TV que aprendi a ser homem
foi na TV que aprendi a sorrir
põe-me a mão no bolso
ensina-me o abraço
que eu sou uma puta
e não sei o que eu faço
foi na TV que aprendi a ser puta
estou tão feliz por não ter uma luta
põe-me a mão no ombro
ensina-me o que eu faço
que eu sou uma coisa
e tu és o meu espaço"
Manuel Cruz 

sábado, 7 de abril de 2012

"Se Deus está morto, então tudo é permitido!"



Cairei num niilismo profundo.
Desvalorizarei qualquer sentido de ser, qualquer razão.
Entrarei numa dimensão surreal vista desta. Onde a vida não é nada mais do que algo sem nexo, onde reina um ciclo repetitivo e onde o grande conhecimento se rege em aceitar o maior vazio após a minha morte. Estou, e estamos, naquela ampulheta que se vira novamente (e novamente) de igual forma, que nos foca e nos atormenta no nosso liberto e autónomo agir. 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Como esquecer ideias geniais?



"Ligo conceitos das formas mais extraordinárias e absurdas possíveis e quando, após atravessar a linha do irrazoável, me pergunto sobre de onde surgiria toda aquela linha de pensamento tomo a noção de que a minha fraca memória não acompanha a potência do meu insensato raciocínio."

  Francisco Reis




quinta-feira, 5 de abril de 2012

Eles, aqueles loucos!


A vida é demasiado curta para eles. Não encontram nenhum lugar para si nas ruas, nem nas culturas ou nas religiões. 
Aqueles grandes loucos, grandes génios, que atiram as culpas ao homem e que se suicidam por dentro, cada vez que se sentem a existir. A vida para eles é nada. É uma realidade demasiado pequena para almas tão grandes. E as suas vozes, são vozes que assemelham a ecos complexos e até o timbre é demasiado baixo e as palavras demasiado ruidosas e avassaladoras que não conseguem fazer-se ouvir. Eles são um erro do tempo. 
Para aqueles loucos, sentirem-se existir é sentirem na pele todos os erros humanos deste e do passado mundo, que de tão pequeno, ainda os chama de loucos. 

sábado, 17 de março de 2012

"Para os crentes, é um ateu; para os ateus, seria um crente"

"(...) Mesmo que os filósofos tivessem a possibilidade de descobrir a verdade, qual, de entre eles, se interessaria por ela? Cada um de­les sabe muito bem que o seu sistema não tem mais fundamentos que os dos outros; mas sustenta-o, porque é seu. Não houve um único que, tendo chegado a distinguir o verdadeiro e o falso, não ti­vesse preferido a mentira que encontrou à verdade descoberta por outro. Onde se encontra o filósofo que, para defender a sua glória, não enganaria cientemente o género humano? Onde se encontra aquele que, no âmago do seu coração, tem outro propósito que não seja o de se distinguir? Contanto que se eleve acima do vulgar, con­tanto que apague o brilho dos seus concorrentes, que mais deseja ele? O essencial é pensar diferentemente dos outros. Para os cren­tes, é um ateu; para os ateus, seria um crente. "


Jean-Jacques Rousseau, em 'Emílio'

segunda-feira, 5 de março de 2012

A tão temida morte faz a nossa existência


Crescer parece que é tomar consciência do quanto estávamos errados antes, quando antes pensávamos estar certos. É tornarmos-nos superiores ao que nós próprios éramos. Sim, porque acreditem, se há alguma pessoa a quem eu me possa considerar superior, essa pessoa sou eu mesma. Ser superior de mim mesma é ter em consciência a minha inferioridade.
O mundo físico é que nos faz existir. Porque se não fosse a morte, poderíamos ser sempre uma pessoa superior e diferente  daquela que éramos (logo, quem seriamos afinal?) Parece que é a tão temida morte que nos traça a existência.

domingo, 4 de março de 2012

um bicho de 10 cabeças

"Em Platão fora uma essência desinvidualizada.
Em Aristóteles, uma espécie.
Nos escolásticos, um filho sem vontade própria.
Em Descartes, um pensamento.
Em Espinosa, um modo de Deus.
Em Kant, um sujeito.
Em Schelling, uma pura transcendência.
Em Hegel, o mesmo espírito.
Em Comte, um facto social.
Em Marx, um factor histórico-dialéctico."

Ismael Quiles, Sartre e o Existencialismo.

O amor e o conhecimento como evolução de mentalidades

Cada vez mais me deparo que o amor é algo racional. Defini-lo será inútil e a um certo ponto será até ridículo. E se por ventura passar algum limite então serei eu demasiado ignorante ou demasiado irracional para falar do amor.

O amor e o conhecimento, para mim, estão intimamente ligados e são ambos dois campos demasiado infinitos para a vida humana, enquanto que, ao mesmo tempo, são capacidades humanas infinitas. Quanto mais racionais mais nos apercebemos que nunca iremos saber amar totalmente.
Dentro de mim, só vou poder afirmar que amei ou que conheci algo no último dia da minha vida. Nesse dia não terei oportunidade de conhecer um amor superior aquele que eu mais amei. E por isso, no último dia da minha vida resta-me ser ridícula e agarrar o sentimento mais forte que vivi. Talvez apenas para sentir que dei tudo de mim a alguma coisa. Talvez seja esta a forma de não morrer, depositando tudo o que fui naquilo que eu mais amei.

"A terceira onda - fascismo na escola"


Nos anos 60 inícios de 70, Ron Jones acabou por criar um estado fascista ilusório dentro da turma que leccionava, sem estes tomarem conhecimento da experiência. 

Começou por ensinar "A força através da disciplina", fazendo-os saírem e voltarem a entrar na sala as vezes que fossem necessárias. Também ensinou á turma uma nova postura que deveriam assumir, mostrando-lhes o quanto correcta e benéfica ela era.

Mais tarde ensinou a segunda fase da manipulação: "A força através da comunidade". Deu um nome á turma: a terceira onda. Criou um símbolo e um gesto de saudação. Sempre que passavam uns pelos outros, teriam de se cumprimentar com o gesto. Os alunos assumiram um sentimento de grupo e de igualdade uns com os outros, sentiam que pertenciam a algo especial. Praticaram durante um período inteiro estas duas matérias, tornando-os fanáticos pela terceira onda.

O seguinte passo foi: "A força pela acção". O professor decidiu alargar o grupo a quem quisesse entrar. Ao terceiro dia a turma ter-se-ia alargado para 43 alunos. O professor distribuiu papéis por todos os membros com funções específicas. Quem tivesse uma cruz no papel teria a função de informar o professor se alguém não estivesse a cumprir as regras da terceira onda.

Incentivou os seus alunos a darem palestras sobre a terceira onda aos outros colegas, convencendo-os de que as suas regras eram correctas. Pediu também a cada aluno que convida-se amigos próximos e de confiança a participar activamente na terceira onda. De 43, passaram a 200 membros. Toda a escola, incluindo funcionários e outros professores, estavam completamente motivados pela terceira onda.

Nesse dia um aluno ofereceu-se para ser o seu guarda costas pessoal, e aí o Mr.Jones apercebeu-se que também ele estava a fazer parte da sua própria experiencia. Era ele a autoridade a qual todos obedeciam cegamente, independentemente do conteúdo das suas palavras. Mr. Jones podia agora levar aquelas pessoas a atitudes monstruosas, ou não.  

Por último, para concluir a experiencia Mr. Jones ensinou "A força pelo orgulho". Mostrou a todos o quanto se deviam sentir orgulhosos por pertencer á terceira onda. Os alunos estavam de tal forma alienados que se Mr. Jones manda-se matar, eles matavam.

Foi então que Jones preparou uma reunião da terceira onda onde planeariam um golpe de estado. Quase todos os membros compareceram e Jones revelou-lhes que tudo aquilo que tinham vivido até agora tinha sido apenas uma experiencia. Que não iria haver nenhum golpe de estado. E mostrou aqueles duzentos estudantes o quanto fácil era manipular as massas. O quanto totalitarista aquele movimento se tinha tornado. E finalmente respondeu a uma pergunta que uma aluna lhe tinha feito no início do ano: “Será que era possível existir na actualidade um estado fascista?”

Depois desta experiência Jones foi despedido e afastado do ensino.